Água · Instalação e calibração
Quanto tempo demoram as incrustações a estragar um registo de condutividade? O que mediu um estudo com sensores fundeados no Báltico
Num estudo na costa sul do Báltico, um sensor de condutividade fundeado a 2 m com uma célula de TBT já usada estava fora da especificação na primeira comparação depois da instalação, ao dia 32; com um emissor UVC, as últimas referências, aos 237 dias, ficaram dentro da margem. O que muda ao planear visitas e referências.

Quem deixa um registador de condutividade ou de salinidade numa baía, num porto, numa lagoa costeira ou numa instalação de aquacultura pode ler a exatidão da ficha técnica como se fosse a de todo o registo. Uma vez dentro de água, porém, o sensor fica exposto a organismos e sedimento: o guia do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) para monitores contínuos descreve os sensores de condutância específica como fiáveis, exatos e duradouros, mas suscetíveis a essas incrustações. Um estudo publicado em julho de 2025 na Frontiers in Marine Science mediu quanto pesaram as incrustações em sensores fundeados na costa sul do mar Báltico. Não é uma regra geral: é o que aconteceu neste estudo, e serve para decidir de quanto em quanto tempo visitar o ponto e com que referência o verificar.
A pergunta do estudo
Robert Mars, Bennet Krebs, Mathis Bjoerner, Marialena Christopoulou e Oliver Zielinski, do Instituto Leibniz de Investigação do Mar Báltico (Warnemünde, Alemanha) e da Sea-Bird Scientific, quiseram saber se um emissor de luz ultravioleta C (UVC) concebido por eles, com uma eficiência energética cerca de vinte vezes superior à de conceções comerciais anteriores, mantém limpos os sensores fundeados e, com isso, as leituras dentro da especificação do fabricante. Para o verificar, compararam fundeamentos com e sem o emissor na mesma zona.
Como foi feito
- Local: costa sul do mar Báltico; a maioria dos ensaios decorreu na estação Arkona Basin, com os sensores de condutividade fundeados a 2 m de profundidade.
- Condutividade sem emissor: um CTD fundeado (SBE37) registou 155 dias em 2018 com uma célula de tributilestanho (TBT) já usada e tubos de cobre, sem emissor UVC.
- Condutividade com emissor: outro fundeamento do mesmo modelo registou 237 dias em 2021 com o emissor UVC e sem célula de TBT. Os dois fundeamentos começaram em julho: a primeira referência é de 18/19 de julho de 2018 e de 14/15 de julho de 2021.
- Referência: perfis com um CTD de navio (SBE 911plus) a cerca de 150 m do fundeamento, no dia da instalação e em datas posteriores: dias 32, 96/98 e 155 em 2018; dias 94/95 e 237 em 2021.
- Margem admitida: os autores comparam cada desvio com a exatidão do equipamento (±0,003 mS/cm) somada à estabilidade declarada (0,003 mS/cm por mês), pelo que a margem cresce com o tempo de fundeamento.
O estudo também ensaiou fluorímetros de clorofila, para os quais o fabricante não declara exatidão; este texto centra-se na condutividade.
O que se observou
Sem emissor (2018). Na primeira comparação depois da instalação, ao dia 32, o desvio médio era de -0,0129 mS/cm para uma margem de ±0,006 mS/cm: o dobro. Ao dia 96/98 chegou a -1,0699 mS/cm para ±0,012 mS/cm, 89 vezes a margem, e depois manteve-se quase constante durante os dois meses seguintes. A raiz do erro quadrático médio (RMSE) face à referência foi de 0,9998 mS/cm ao dia 155. Os autores resumem-no assim: «None of the comparison measurements after the day of deployment are inside the specified sensor accuracy». Atribuem o problema às incrustações biológicas do fim do verão e do outono na costa báltica: a macroincrustação (cracas, algas ou mexilhões) altera a geometria da célula de condutividade, e os dados de condutividade indicam que não houve mais crescimento entre meados de outubro e meados de dezembro.
Com emissor (2021). As duas últimas referências, ao fim de 237 dias, deram um desvio médio de -0,0099 mS/cm, «well within the expected accuracy», e o RMSE (0,0098 mS/cm) foi duas ordens de grandeza inferior ao de 2018. Nem tudo ficou dentro: ao dia 94/95 a média ficava fora da margem esperada em 45%; as duas primeiras amostras de referência só entraram nela quando os autores as emparelharam com o registo do fundeamento feito 10 minutos antes, e a terceira continuou fora.
Outras observações. Num fluorímetro com limpador mecânico cresceu uma craca na tampa de borracha do limpador. Com o emissor, surgiram mexilhões em zonas não iluminadas do respetivo invólucro em dois de cerca de 100 fundeamentos.
Limites de transferência
- Uma campanha por configuração. O artigo apresenta um só fundeamento de cada versão do CTD, em anos diferentes (2018 e 2021), pelo que a diferença entre ambas não resulta de um ensaio com réplicas.
- Água e época. São águas costeiras do Báltico sul, a 2 m e com fundeamentos que começaram em julho. Numa lagoa mediterrânica, num estuário atlântico ou num porto da Península, com outra temperatura, outra salinidade e outras comunidades, o ritmo das incrustações pode ser diferente, e este estudo não o mede.
- Equipamento. Os valores em mS/cm dizem respeito a um CTD cuja célula de condutividade muda de geometria com as incrustações; um sensor de outra tecnologia pode comportar-se de outra forma, e o estudo não o ensaia.
- Referência imperfeita. O navio estava a 150 m do fundeamento e mistura a água perto da superfície, e os autores assinalam que é impossível amostrar exatamente a mesma água.
- O emissor. É uma conceção dos autores, que o artigo não apresenta como produto comercial, e não abrange os equipamentos com circuito de água bombeado. Uma das autoras tem afiliação na Sea-Bird Scientific, fabricante dos CTD usados; o artigo declara ausência de conflito de interesses.
O que isto muda numa decisão de medição
- Não ler a ficha como o erro do registo. Neste estudo, com uma célula de TBT já usada e sem emissor, a condutividade estava fora da especificação na primeira visita depois da instalação, ao dia 32.
- Programar referências durante o fundeamento, e não só no início e no fim. Em 2018 o erro multiplicou-se entre o dia 32 e o dia 96/98 e depois ficou quase constante; com duas comparações, uma na instalação e outra na recolha, ter-se-ia visto o erro final, mas não quando apareceu.
- Ler antes e depois de limpar. O guia do USGS define o erro por incrustação como a diferença entre a leitura inicial do sensor e a leitura com o sensor já limpo, e a deriva de calibração como a diferença entre a leitura do sensor limpo em soluções-padrão e o valor esperado. Anotar as duas permite separar uma coisa da outra.
- Ajustar a frequência das visitas à água e à época. O mesmo guia indica que a frequência de manutenção depende em geral do ritmo das incrustações e que os sensores de temperatura e de condutância específica tendem a ser menos afetados por elas do que os de oxigénio dissolvido, pH e turvação. Ainda assim, no fundeamento de 2018 (de julho a dezembro), as incrustações surgiram no fim do verão e no outono.
- Anotar a hora e a profundidade exatas de cada referência. Em 2021, duas das três amostras do dia 94/95 só entraram na margem quando emparelhadas com o registo feito 10 minutos antes.
- Escolher a proteção conhecendo os seus limites. A célula de TBT é tóxica, um limpador mecânico pode acabar colonizado por cracas e um emissor UVC deixa por proteger as zonas que não ilumina.
Referências
- Mars, R., Krebs, B., Bjoerner, M., Christopoulou, M. e Zielinski, O. (2025). Optimized UVC-based antifouling system for moored applications. Frontiers in Marine Science, 12, 1625587. DOI: 10.3389/fmars.2025.1625587. Texto integral (consulta: 4 de novembro de 2026).
- Wagner, R. J., Boulger, R. W., Jr., Oblinger, C. J. e Smith, B. A. (2006). Guidelines and Standard Procedures for Continuous Water-Quality Monitors: Station Operation, Record Computation, and Data Reporting. U.S. Geological Survey, Techniques and Methods 1-D3. Publicação (consulta: 4 de novembro de 2026).
Seleção comercial da EIC Controls
O registador HOBO U24-002-C mede condutividade e temperatura em água salgada, de 100 a 55 000 µS/cm em duas gamas, e o software HOBOware Pro converte o dado em condutância específica e salinidade (PSS-78). A ficha indica uma deriva do sensor de até 12% por mês, sem contar a devida às incrustações, e pede calibrações mensais de início e fim com o Conductivity Assistant para atingir a exatidão especificada; o sensor sem contacto tem acesso fácil para limpeza. Ficam por dimensionar a gama a configurar, o equipamento de referência para essas calibrações, a fixação no ponto e a forma de descarga (interface ótica USB ou Shuttle Impermeável HOBO compatível).
Instrumentos para esta aplicação

LI-COR (HOBO, InTemp, LI-COR) · U24-002-C
Data Logger de Condutividade/Salinidade de água salgada (100 a 55.000 uS/cm)
O HOBO U24-002-C é um registador de dados económico para medir salinidade, condutividade e temperatura em ambientes de água salgada com mudanças relativamente pequenas na salinidade (±5.000 μS/cm) como baías de água salgada, ou para detetar eventos de…



