Registo de dados · Temperatura e humidade

Vigiar o clima de um museu ou de uma igreja: de quanto em quanto tempo registar, durante quanto tempo e em quantos pontos

Uma hora ou menos entre registos, pelo menos 13 meses de dados para aplicar a norma EN 15757 e uma primeira campanha com muitos pontos antes de decidir quantos registadores manter. São as decisões que apoiam dois estudos em museus de Valência e um guia do Serviço de Parques Nacionais dos Estados Unidos.

Por EIC Controls · · 8 min de leitura

Registador de dados HOBO UX100-011A com visor LCD e sensores integrados de temperatura e humidade relativa para interiores

Um registador pendurado numa sala de um museu, de uma igreja ou de um arquivo produz uma curva de temperatura e humidade relativa desde o primeiro dia. Que essa curva sirva para avaliar o risco para a coleção depende de decisões tomadas antes de o instalar: de quanto em quanto tempo regista, durante quanto tempo fica e em quantos pontos se mede. Este guia organiza essas decisões com dois estudos feitos em Valência, um na Sala Sorolla do Museu de Belas Artes Pio V e outro no Centro Arqueológico de l'Almoina, e com um guia do Serviço de Parques Nacionais dos Estados Unidos (NPS) sobre registadores para museus.

1. Antes de instalar, verificar os registadores todos juntos

Em l'Almoina, um museu subterrâneo com cerca de 2500 m², situado cerca de 3 m abaixo do nível da rua, os investigadores instalaram 27 registadores autónomos. Antes de os distribuírem, colocaram-nos todos juntos durante seis horas numa câmara climática, a 15, 23 e 30 °C, e calcularam para cada um uma correção linear. O fabricante declarava uma exatidão de ±1 °C entre 0 e 50 °C.

O guia do NPS propõe um passo equivalente para a humidade: verificar a calibração com pequenas câmaras e soluções salinas saturadas antes de instalar os equipamentos novos. Lembra também que os fabricantes recomendam recalibrar com uma periodicidade entre 6 meses e 3 anos, e que a maioria aconselha fazê-lo todos os anos.

2. Intervalo: uma hora ou menos, e mais curto onde o clima muda depressa

Os autores do estudo do Pio V lembram que a norma EN 15757:2010 indica que os intervalos de amostragem devem ser de uma hora ou menos. Registaram de minuto a minuto com quatro sondas de temperatura e humidade relativa, duas dentro das molduras com microclima de dois quadros de Sorolla e duas fora, e recalcularam os resultados como se tivessem registado a cada 15 minutos, a cada 30 minutos e a cada hora.

Nessa sala com clima controlado, o registo horário deu resultados muito fiáveis, e a percentagem de valores dentro dos intervalos aceitáveis da norma italiana UNI 10829 não dependeu da frequência de registo. Os autores concluem que, num interior com clima controlado, a melhor frequência foi a de uma hora. Contudo, nas sondas de fora das molduras, reduzir a frequência pode não ser válido quando o que se quer avaliar são as oscilações diárias. E em ambientes mais variáveis, as diferenças entre resultados poderiam comprometer a avaliação final.

As médias diárias também não substituem o dado horário. No ensaio de 42 dias com a EN 15757, feito com os quadros já fora do museu, o índice de humidade relativa calculado com médias diárias afastou-se cerca de 10 % do obtido com os dados de cada minuto, e as bandas ficaram mais coladas à média móvel, porque calcular a média suaviza as variações dentro do dia. Os autores avisam, no entanto, que o ensaio foi muito curto e que, com um período mais longo, a concordância seria provavelmente maior; veem as médias diárias, calculadas a partir de dados horários, como uma primeira aproximação ao cumprimento das normas.

No outro extremo, os autores do Pio V avisam que registar a cada minuto pode ser inadequado pela memória que exige e pela dificuldade de manusear o ficheiro resultante. O guia do NPS acrescenta o custo em pilhas: um registador que lê a cada cinco segundos não dura tanto como um que lê a cada hora, e as especificações costumam ser calculadas para uma amostragem moderada, a cada 20 a 30 minutos.

A decisão que daqui se tira: uma hora no máximo nas salas estáveis, e um intervalo mais curto nos pontos expostos (fora de uma moldura ou de uma vitrina, como no Pio V) se interessarem as oscilações do dia. Em l'Almoina registou-se a cada 5 minutos, mas, para aplicar a EN 15757, os autores reduziram a série a valores horários (a mediana de cada hora) e consideraram desnecessária uma frequência maior.

3. Duração: pelo menos 13 meses, com descargas e pilhas planeadas

Segundo os autores do estudo de l'Almoina, a EN 15757:2010 exige dados de pelo menos 13 meses, porque usa uma média móvel centrada de 30 dias que precisa de mais 30 dias para ser calculada. Essa média dá a tendência sazonal; a oscilação de curto prazo é a diferença entre o dado e a tendência, e os limites ficam nos percentis 7 e 93 dessas oscilações.

Um ano e pouco de registo perde valor se a série chegar com lacunas. Em l'Almoina os dados eram descarregados à mão de dois em dois meses, e faltaram 9 % dos valores de temperatura dos 27 registadores, por esgotamento das pilhas ou por erros humanos no manuseamento dos equipamentos; em dois deles faltava metade da série, e os autores tiveram de imputar os valores em falta. O guia do NPS pede que, para seguir tendências, o registador tenha pilha para um ano completo de registo e que as descargas se façam antes de a memória encher, para que não fiquem lacunas.

4. Quantos pontos e onde: primeiro muitos, depois os necessários

L'Almoina tem uma claraboia com cerca de 250 m² sobre parte das ruínas. Os investigadores colocaram alguns registadores perto do perímetro da claraboia e outros junto às paredes, com uma diferença máxima de altura de cerca de 1,5 m entre eles, e mais um fora do museu, num edifício próximo e muito perto de uma grelha de ventilação, para registar o ar exterior.

Ao aplicar a EN 15757:2010 a cada série, os resultados foram bastante diferentes de um ponto para outro. Uma análise de componentes principais seguida de um agrupamento separou os registadores em três zonas, e a maior parte das oscilações de curto prazo potencialmente danosas correspondeu à zona situada debaixo da claraboia, sobretudo no verão.

Daí a recomendação dos autores: fazer primeiro uma análise preliminar das séries, com agrupamento por componentes principais ou outros métodos multivariados, para identificar grupos de sensores; uma vez identificados, uma opção é retirar os registadores redundantes ou calcular uma série média por zona e aplicar-lhe a norma. Os próprios autores reconhecem que o número de registadores instalado pode parecer algo excessivo.

No Pio V mediu-se em separado o interior de cada moldura com microclima e a sala.

5. Como ler a série sem ficar pela norma

Segundo os autores de l'Almoina, a aplicação direta da EN 15757:2010 parece insuficiente para detetar anomalias ocultas. No seu caso propuseram uma banda comum a todos os pontos, a mediana das bandas individuais (2,50 °C), e um alerta em três níveis. Esse valor é desse museu e não se transpõe para outro edifício.

Lista de verificação

  • Verifique todos os registadores juntos antes de os instalar e anote a correção de cada um.
  • Programe um intervalo de uma hora ou menos, e encurte-o nos pontos expostos se interessarem as oscilações do dia.
  • Não avalie só com médias diárias.
  • Preveja pelo menos 13 meses de dados, pilhas para todo o período e um calendário de descargas antes de a memória encher.
  • Comece com mais pontos do que pensa manter, incluindo um exterior, e decida quantos ficam depois de analisar as séries.
  • Meça em separado o interior das vitrinas ou das molduras com microclima.
  • Anote a data de cada troca de sensor (porque é que isso importa).

Limites

Os dois estudos partilham um autor, Fernando-Juan García-Diego, da Universitat Politècnica de València, e descrevem dois casos concretos: uma sala com clima controlado e um museu subterrâneo com climatização e claraboia. Nenhuma das fontes estuda uma igreja ou um arquivo. Em l'Almoina só se analisou a temperatura. No estudo do Pio V, o ensaio de 42 dias foi feito com os quadros já fora do museu, e o ano analisado na sala incluiu uma avaria da climatização. O guia do NPS é de 2011, dos Estados Unidos, e trata de como escolher e usar registadores, não de onde os colocar. As normas são citadas tal como os autores as descrevem: este guia não as interpreta nem fixa valores-alvo de temperatura ou humidade para nenhuma coleção, que cabem à conservação preventiva de cada instituição.

Referências

  • García-Diego, F.-J.; Verticchio, E.; Beltrán, P.; Siani, A. (2016). Assessment of the Minimum Sampling Frequency to Avoid Measurement Redundancy in Microclimate Field Surveys in Museum Buildings. Sensors, 16(8), 1291. DOI: 10.3390/s16081291. Texto integral. Consultado a 2 de novembro de 2026.
  • Díaz-Arellano, I.; Zarzo, M.; García-Diego, F.-J.; Perles, A. (2021). A Methodology for the Multi-Point Characterization of Short-Term Temperature Fluctuations in Complex Microclimates Based on the European Standard EN 15757:2010: Application to the Archaeological Museum of L'Almoina (Valencia, Spain). Sensors, 21(22), 7754. DOI: 10.3390/s21227754. Texto integral. Consultado a 2 de novembro de 2026.
  • Perkins Arenstein, R.; Alderson, S. (2011). Comparing Temperature and Relative Humidity Dataloggers for Museum Monitoring. Conserve O Gram 3/3, National Park Service. PDF. Consultado a 2 de novembro de 2026.

Seleção comercial da EIC Controls

O registador HOBO UX100-011A mede temperatura e humidade relativa em interiores com sensores integrados: ±0,21 °C entre 0 e 50 °C e ±2,5 % de humidade relativa entre 10 % e 90 % (típico, com um máximo de ±3,5 % incluindo a histerese a 25 °C). Aceita intervalos de registo de 1 s a 18 h 12 min 15 s e o sensor de humidade pode ser substituído pelo utilizador. Fica por dimensionar quantos equipamentos são precisos para a campanha inicial, em que pontos ficam e de quanto em quanto tempo são descarregados por USB.

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Instrumentos para esta aplicação

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