Meteorologia · Instalação e calibração

Quantas horas esteve a folha molhada? Onde colocar o sensor e como fixar o limiar para que o dado sirva

As horas de folha molhada alimentam muitos avisos de doenças, mas não há um sistema padrão para as medir. Onde colocar o sensor, com que ângulo e orientação, se o pintar e como fixar o limiar com observações próprias.

Por EIC Controls · · 9 min de leitura

Sensor Inteligente de Humidade da Folha S-LWA-M003: grelha capacitiva que mede a humectação foliar entre 0 (seca) e 100 (molhada).

Muitos sistemas de aviso de doenças usam as horas de folha molhada como dado de entrada para indicar quando um tratamento é realmente necessário. Nos citrinos mediterrânicos, por exemplo, a humectação foliar intervém em doenças como a mancha castanha por Alternaria na tangerineira ou a melanose. O dado parece simples, mas a humectação foliar não tem um sistema padrão de medição (Bassimba et al., 2017) e é uma variável difícil de medir ou de estimar (Sentelhas et al., 2005).

Dois sensores na mesma parcela podem contar horas diferentes na mesma noite, consoante o sítio onde estão, a forma como foram instalados e o limiar usado para decidir que a folha está "molhada". Este guia organiza as quatro decisões que mais pesam: onde colocar o sensor, com que ângulo e orientação, se se pinta ou não, e como converter a leitura em horas de folha molhada.

Primeira decisão: referência comparável ou ponto dentro da cultura?

Referência sobre relva a 30 cm. Um estudo em cinco culturas (macieira, milho, videira, cafeeiro e meloeiro), em estações experimentais da América do Norte e da América do Sul, comparou um sensor colocado a 30 cm sobre relva cortada com sensores dentro de cada cultura (Sentelhas et al., 2005). O sensor sobre relva estimou bem a duração da humectação na parte alta da copa, com erros médios absolutos entre 0,83 e 1,58 horas, e pior dentro da copa. O guia de extensão da Universidade da Flórida propõe a mesma altura de 30 cm sobre relva, fora da zona molhada pela rega por aspersão, e avisa que um sensor a 2 m pode não representar o que acontece à altura das plantas (Onofre et al., 2020).

Sensor dentro da cultura. No estudo de cinco culturas, a duração não foi igual em toda a copa. Na macieira desceu de 8,67 horas na parte alta para 6,78 horas na parte baixa; no milho, de 14,5 horas em cima para 13,53 horas no interior. Na videira e no cafeeiro não houve diferenças significativas entre posições. Na macieira e no milho a parte alta esteve molhada mais tempo, sobretudo quando a água vinha do orvalho, porque é a única exposta diretamente ao céu. Os autores defendem o uso de pelo menos dois sensores para acompanhar a diferença entre a parte alta e a parte baixa da copa.

Em Espanha, um estudo na estação experimental do Instituto Valenciano de Investigaciones Agrarias (IVIA), em Moncada (Valência), mediu num pomar de citrinos entre 2011 e 2013, em seis posições: lado este e lado oeste, a 1, 1,5 e 2 m do solo (Bassimba et al., 2017). Em nove noites de observação visual não houve diferenças significativas entre posições nem entre a página superior e a inferior da folha. Os sensores registaram diferenças entre oeste e este a 1 e 2 m em dias sem chuva, que os autores consideram pouco substanciais. Os próprios autores avisam que nove noites foram provavelmente poucas e que não mediram abaixo de 1 m.

Como escolher. Se o dado vai alimentar um modelo de aviso ou ser comparado com outras estações, a exposição de referência (30 cm sobre relva) torna-o comparável. Se interessa saber quanto se molha a cultura, coloque o sensor dentro da copa e, se esta for densa, use dois (parte alta e parte baixa). Não mude de exposição a meio da campanha sem o registar: a série deixaria de ser comparável consigo própria.

Segunda decisão: ângulo e orientação

As três referências usam o sensor inclinado, não na horizontal: 30 graus em relação à horizontal no estudo de Valência, 30 ou 45 graus no de cinco culturas e entre 30 e 45 graus no guia da Flórida, que indica orientá-lo para norte no hemisfério norte. No estudo de cinco culturas, os sensores estavam virados a norte no hemisfério norte e a sul no hemisfério sul, ou seja, para o polo. Fixe o ângulo e a orientação no primeiro dia, registe-os e use os mesmos em todos os sensores que vá comparar.

Terceira decisão: pintar ou não pintar

No estudo de cinco culturas, os sensores de placa plana foram pintados com duas ou três demãos de látex esbranquiçado e receberam um tratamento térmico para aumentar a sensibilidade, e o guia da Flórida avisa que uma placa plana sem pintura pode não detetar gotas pequenas de água. No estudo de Valência, pelo contrário, os sensores não foram pintados, seguindo as indicações dos fabricantes. A regra: cada modelo usa-se como o fabricante indicar, e numa mesma rede não se misturam sensores tratados de forma diferente sem verificar que dão o mesmo resultado.

Quarta decisão: o limiar que converte a leitura em horas de folha molhada

Um sensor de humectação não entrega horas de folha molhada: entrega um sinal contínuo (por exemplo, de 0 a 100), e alguém, a pessoa ou o programa, decide a partir de que valor a folha conta como molhada. No estudo de Valência esse limiar foi calculado para cada tipo de sensor, comparando as leituras com observações visuais, nas quais uma folha contava como molhada com pelo menos 10 % da superfície molhada. Num dos sensores, com escala de 0 a 15, o limiar ótimo variou entre 0,95 e 4,05 consoante a posição na copa.

A alternativa sem sensor de humectação é estimá-la a partir da humidade relativa: contar como molhadas as horas acima de um limiar. No pomar de Moncada, o limiar ótimo foi de 87,45 %, e os autores assinalam que o método poderia ser facilmente adotado em condições comerciais, porque os sensores de temperatura e humidade relativa já são habituais nos pomares de citrinos em Espanha. Mas em 14 pomares comerciais de sete províncias, de Tarragona a Huelva, o limiar ótimo foi de 72,5 % em Gandía a 89,5 % em Chiva, e em Isla Cristina o método acertou muito menos (área sob a curva ROC de 0,65, contra mais de 0,83 em 12 dos 14 pomares). Um limiar de humidade relativa não passa de uma parcela para outra sem ser verificado.

O orvalho conta: em Moncada, 73,6 % dos dias sem chuva tiveram folha molhada, o que os autores associam ao orvalho. E uma condensação ligeira pode passar despercebida à vista e ser detetada pelo sensor, por isso nem toda a diferença em relação à observação é um erro do sensor.

O que fazer. Antes de confiar nas horas de folha molhada, registe durante algumas noites se as folhas estão molhadas ou secas, ao anoitecer e ao amanhecer, e compare com a leitura. Se o sensor marcar "molhado" com as folhas secas, ou o contrário, ajuste o limiar antes de usar o dado num modelo.

Manutenção

Os autores do estudo de Valência lembram que a exatidão destes sensores é variável e que costumam precisar de calibrações frequentes. O guia da Flórida acrescenta:

  • Limpar o sensor com água e um pano macio; inspecioná-lo todas as semanas na época de plantação e de duas em duas semanas ou uma vez por mês no resto do tempo.
  • Não aplicar herbicida debaixo do sensor e cortar a relva com equipamento ligeiro, não com trator.
  • Enterrar os cabos até ao registador de dados para os proteger de animais e do corte da relva.
  • Inspecionar o sensor sempre que os dados pareçam incoerentes.

Lista de verificação

  • Pergunta decidida: referência (30 cm sobre relva) ou cultura (dentro da copa, dois sensores se for densa), fora do alcance dos aspersores.
  • Inclinação de 30 a 45 graus e orientação a norte, iguais em todos os sensores.
  • Pintura ou não, conforme o fabricante do modelo.
  • Limiar verificado com observações próprias.
  • Exposição, ângulo, orientação e limiar registados na ficha da estação.

Limites

  • Os estudos citados são de citrinos em Espanha e de cinco culturas na América; os seus limiares e diferenças entre posições não passam para outras culturas, climas ou sensores sem verificação.
  • O estudo de Valência baseia-se em nove noites de observação visual e não mediu abaixo de 1 m; as indicações de manutenção vêm de um guia de extensão da Universidade da Flórida.
  • Este guia não substitui as instruções do modelo de aviso: confirme com que exposição e com que limiar foi medida a humectação com que o modelo foi ajustado.

Referências

  • Bassimba, D. D. M.; Intrigliolo, D. S.; Dalla Marta, A.; Orlandini, S.; Vicent, A. (2017). Leaf wetness duration in irrigated citrus orchards in the Mediterranean climate conditions. Agricultural and Forest Meteorology, 234-235, 182-195. doi:10.1016/j.agrformet.2016.12.025. Texto aceite no repositório do IVIA: ReDivia. Consultado a 12/10/2026.
  • Sentelhas, P. C.; Gillespie, T. J.; Batzer, J. C.; Gleason, M. L.; Monteiro, J. E. B. A.; Pezzopane, J. R. M.; Pedro Jr., M. J. (2005). Spatial variability of leaf wetness duration in different crop canopies. International Journal of Biometeorology, 49, 363-370. doi:10.1007/s00484-005-0259-1. Consultado a 12/10/2026.
  • Onofre, T. B.; Fraisse, C. W.; Peres, N. A.; McNair, J. (2020, revisto em 2024). How to Avoid Common Problems with Leaf Wetness Sensor Installation and Maintenance. UF/IFAS EDIS, AE538. ask.ifas.ufl.edu/publication/AE538. Consultado a 12/10/2026.

Seleção comercial da EIC Controls

O Sensor Inteligente de Humidade da Folha S-LWA-M003 mede a humectação foliar com uma grelha capacitiva, numa escala de 0 (seca) a 100 (molhada); segundo a ficha técnica não precisa de pintura nem de revestimento e o suporte permite fixar qualquer ângulo entre 0 e 90 graus. Se o ponto de medição ficar longe da estação, a versão sem fios RXW-LWA-868 transmite numa rede HOBOnet e, segundo a ficha técnica, um sistema completo requer ainda uma estação de monitorização remota e um gestor sem fios HOBOnet. Falta dimensionar o ponto (referência sobre relva ou dentro da copa), o número de sensores e o limiar que vai converter a leitura em horas de folha molhada.

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