Registo de dados · Meteorologia
Mudar de ponto ou de equipamento sem partir a série: o que ensina o cimo do Montseny (1950-2025)
A AEMET e o SMC publicaram a 31 de outubro de 2026 uma análise da série do cimo do Montseny, que une dois locais e preenche as lacunas de 2001 a 2010. O que ensina a quem pensa mudar a estação de local ou trocar o sensor.

Se pensa mudar a sua estação umas centenas de metros, trocar o sensor ou substituir o registador, a pergunta prática é se os dados de depois continuarão comparáveis com os de antes. Uma série que a AEMET e o Servei Meteorològic de Catalunya (SMC) acabam de apresentar mostra o que custa responder-lhe quando o ponto antigo e o novo nunca mediram ao mesmo tempo.
O facto
A 31 de outubro de 2026, o blogue da AEMET publicou uma análise de José Luis Camacho Ruiz (AEMET) e Marc Prohom Durán (SMC) sobre o clima e a história das observações no cimo do Montseny, na Catalunha, com a série de 1950 a 2025 (Aemetblog, 2026). Os autores apresentam uma seleção dos resultados: o estudo completo está numa nota técnica conjunta da AEMET e do SMC que continua em revisão, e não inclui os dados de 2026.
Contexto: dois locais e um troço com lacunas
A série não vem de um só ponto. O observatório ficava no Turó de l'Home, a 1707 m. O Instituto Nacional de Meteorologia espanhol encerrou-o oficialmente em 2004 e, a 22 de setembro de 2010, o SMC instalou uma estação automática no Puig Sesolles, a 1668 m e a cerca de 300 m em linha reta. Os dados vêm da AEMET para 1950-2001 e do SMC desde 2010: os dois períodos não se sobrepõem.
Segundo o texto, houve mudanças de instrumentos e períodos sem observações. Por isso os autores construíram uma série sintética com os dados originais dos dois locais, recorrendo a observatórios próximos com correlação significativa para preencher as falhas. Aplicaram um controlo de qualidade diário e uma homogeneização relativa com a metodologia ACMANTv5.1; o método preencheu sobretudo as lacunas de 2001-2010 e corrigiu os saltos associados a mudanças de instrumentação, em especial na medição das máximas a partir de 1982.
Um número resume tudo. A mínima absoluta medida com o instrumento da época foi de -19,8 °C; na série homogeneizada aparece como -19,5 °C (2 de fevereiro de 1956), porque o processo ajusta a série às condições da localização atual da estação.
Com essa série, a temperatura máxima média anual sobe 0,33 °C por década e a mínima média 0,26 °C por década; no verão, 0,51 e 0,36 °C por década. Os dias de geada passam de 112,6 por ano em 1951-1980 para 93,7 em 1991-2020, e os dias de gelo de 24,4 para 17,6. Na precipitação, os resultados não são conclusivos nos totais anuais, sazonais ou mensais, embora a descida do verão, de 8,8 mm por década, atinja o nível de significância de 95 %.
O que significa para quem mede
1. O valor de uma série homogeneizada não é a leitura do termómetro. Se comparar um extremo da sua estação com uma série oficial longa, uma diferença de umas décimas, como os 0,3 °C da mínima absoluta do Montseny, pode vir da homogeneização e não do seu sensor. Antes de comparar, verifique se a série é de dados originais ou homogeneizados e a que local se refere. Complementa o que escrevemos sobre o que rever na sua série antes de a comparar com a AEMET.
2. Mudar de ponto é começar outra série. No Montseny, dois locais a cerca de 300 m de distância e 39 m de desnível, sem um período comum de medição, foram unidos com a construção de uma série sintética, com a ajuda de estações vizinhas. Se vai mudar a sua estação de local, meça durante algum tempo nos dois pontos ao mesmo tempo: assim fica a conhecer a diferença em vez de ter de a estimar. Registe a data, as coordenadas, a altitude e a envolvente de cada local.
3. Mudar a forma de medir também deixa marca. Os saltos corrigidos a partir de 1982 afetavam a medição das máximas. Num registador, o equivalente é trocar de sensor, de protetor ou de intervalo de registo: anote-o com a data e guarde os dados originais intactos, com as correções à parte. Tratámos o tema com mais pormenor a partir de um estudo com 55 estações do Reino Unido.
4. As lacunas pagam-se. As de 2001-2010 foram preenchidas com dados de observatórios próximos com correlação significativa. Uma rede própria raramente tem esse apoio, por isso convém planear as descargas de dados, as baterias e um equipamento de reserva para que o registo não se interrompa. Os autores dizem-no assim: «Preservar la continuidad de la serie es esencial para monitorizar el cambio climático» (preservar a continuidade da série é essencial para monitorizar as alterações climáticas).
O que ainda não se sabe
- O estudo completo, numa nota técnica conjunta, continua em revisão.
- A AEMET e o SMC ainda têm de avaliar a qualidade das observações mais antigas, para estender a série até ao início dos anos quarenta e tentar ligá-la aos anos trinta.
- O texto não diz que instrumento mudou em 1982 nem quanto foi corrigido cada troço, para além do exemplo da mínima absoluta.
- A série termina em 2025. O próprio artigo indica que a 3 de outubro de 2026 se registaram 202,4 mm, acima dos valores do período estudado, cujo máximo diário foi de 189,6 mm (21 de abril de 2020).
- São números de um cimo a cerca de 1700 m: não se transpõem para outro ponto nem para outra altitude.
Referências
- Camacho Ruiz, J. L. e Prohom Durán, M. (2026). «Clima e historia de las observaciones meteorológicas en la cumbre del Montseny. Serie 1950-2025». Aemetblog (AEMET), 31 de outubro de 2026. https://aemetblog.es/2026/10/31/clima-e-historia-de-las-observaciones-meteorologicas-en-la-cumbre-del-montseny-serie-1950-2025/. Consultado a 4 de novembro de 2026, 05:45, hora de Madrid.
Fonte dos dados climáticos: AEMET e SMC.
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Instrumentos para esta aplicação

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