Registo de dados · Meteorologia
O Sentinel-3C já está em órbita: o que mede um satélite e o que continua a medir a sua estação
A 15 de setembro de 2026 a União Europeia lançou o Copernicus Sentinel-3C. O que observa a 800 km, porque a temperatura de superfície não é a temperatura do ar e o que convém registar no ponto próprio.

Quem mantém um ponto de medição próprio faz a mesma pergunta sempre que é anunciado um satélite novo: isto substitui o que já está instalado? A resposta curta é que não, e vale a pena perceber porquê.
O que aconteceu, e quando
A 15 de setembro de 2026, às 03:21 CET, a União Europeia lançou o satélite Copernicus Sentinel-3C a partir do Porto Espacial Europeu de Kourou, na Guiana Francesa, a bordo de um lançador Vega C. O primeiro contacto com o satélite foi estabelecido às 04:33 CET, segundo o comunicado publicado nesse mesmo dia pela Comissão Europeia. O satélite opera a cerca de 800 km de altitude.
A própria Comissão precisa o estado atual da missão: o satélite vai agora passar vários meses de entrada em serviço e calibração antes de começar a entregar observações aos utilizadores. Está em órbita, mas ainda não entrega dados operacionais.
O que observa, e com que detalhe
O Sentinel-3C junta-se ao Sentinel-3A e ao Sentinel-3B, em serviço desde 2016, e prolonga o registo da missão para a década de 2030. Leva quatro instrumentos principais, com resoluções espaciais muito diferentes entre si (EU Space Support Office, 27 de agosto de 2026):
- OLCI, cor do oceano e da terra: 21 bandas espetrais, resolução até 300 m.
- SLSTR, temperatura da superfície do mar e da terra: nove bandas, entre 500 m e 1 km.
- SRAL, altímetro radar: cerca de 300 m ao longo do traço.
- MWR, radiómetro de micro-ondas: cerca de 20 km.
A Comissão enumera o que a missão observa: temperatura da superfície do mar, nível do mar e correntes, qualidade da água costeira, incêndios, secas e saúde da vegetação, temperatura da superfície terrestre e ondas de calor, e gelo polar.
Porque isto não substitui a sua série
Aqui está o ponto que interessa a quem mede. O SLSTR mede temperatura de superfície: a temperatura radiométrica daquilo que o sensor vê de cima, seja asfalto, solo nu, coberto vegetal ou água. Uma estação em terra mede temperatura do ar, habitualmente a pouca altura do solo e dentro de um protetor de radiação. Não são a mesma grandeza, e a diferença entre as duas não é um valor fixo.
Um estudo revisto por pares, publicado a 3 de abril de 2026 na revista Sci, quantifica isso num caso europeu concreto. Woollard, Gauci e Micallef compararam a temperatura de superfície do Landsat-8, do MODIS e do Sentinel-3A/3B com a temperatura do ar medida in situ em 19 pontos de Malta, em campanhas mensais entre setembro de 2024 e fevereiro de 2025, de manhã (09:00 às 13:00) e à noite (20:00 às 23:30).
De manhã, o produto de nível 2 do Sentinel-3 mostrou uma correlação de 0,82 e um enviesamento de -1,89 °C face à temperatura do ar. À noite, a correlação desceu para 0,75 e o enviesamento chegou a -6,89 °C; o MODIS mostrou à noite um enviesamento comparável, de -6,91 °C. Ao aplicar uma correção empírica de +6,86 °C a ambos os sensores, o enviesamento reduziu-se a valores próximos de zero.
Por outras palavras: naquele local, naqueles meses e àquelas horas, o produto de satélite afastava-se da temperatura do ar vários graus, e fazia-o de forma muito diferente de dia e de noite.
O que medir, então
Se o objetivo é comparar ou complementar dados de satélite com o ponto próprio, há três decisões concretas:
- Documente a geometria do ponto: altura do sensor, protetor de radiação utilizado, cobertura do solo em redor e a que distância essa cobertura muda. Os autores avisam que uma medida pontual não consegue representar plenamente as características térmicas do píxel do satélite, sobretudo com sensores de resolução grosseira.
- Registe com um intervalo suficientemente curto para ter valores próximos da hora de passagem do satélite, e guarde a hora numa referência horária explícita.
- Não importe o fator de correção de outro sítio. O enviesamento medido em Malta é de Malta.
O que ainda não se sabe
A Comissão não fixou data para o fim da entrada em serviço: fala em vários meses. Até lá não há dados operacionais do Sentinel-3C nem avaliações independentes do comportamento do seu SLSTR. E os autores do estudo de Malta assinalam dois limites explícitos: o período observado não inclui o verão, o que limita as conclusões sobre condições de calor extremo, e o ambiente insular e costeiro introduz desvios próprios por vapor de água atmosférico, emissividade da superfície, geometria de observação e heterogeneidade dentro do píxel.
Seleção comercial da EIC Controls
A estação meteorológica compacta HDMCS-100 mede, no mesmo ponto e ao mesmo tempo, temperatura e humidade relativa do ar, velocidade e direção do vento, pressão barométrica e precipitação, segundo a sua ficha técnica. É o tipo de série própria que um produto de satélite não substitui: tomada no local, com a hora do registo sob o seu controlo. O conjunto inclui tripé, painel solar, bateria de reserva e registador com comunicação GSM; o que fica por decidir é onde se instala, que cobertura do solo rodeia o ponto e para que destino vão os dados, um servidor FTP próprio ou a nuvem do fabricante.
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Referências
- Comissão Europeia, 2026. Successful Launch of EU Copernicus Sentinel-3C to Monitor Our Changing Planet. Publicado a 15 de setembro de 2026. Ligação. Consultado a 16 de setembro de 2026.
- EU Space Support Office, 2026. OBSERVER: New satellite to carry the Copernicus Sentinel-3 record into the next decade. Publicado a 27 de agosto de 2026. Ligação. Consultado a 16 de setembro de 2026.
- Woollard, D.; Gauci, A.; Micallef, A., 2026. Multi-Sensor Assessment of the Consistency Between Satellite Land Surface Temperature and In Situ Near-Surface Air Temperature over Malta. Sci, 8(4), 80. DOI 10.3390/sci8040080. Ligação. Consultado a 16 de setembro de 2026.
Instrumentos para esta aplicação

DeltaOhm - GHM Group · HDMCS-100
Estação Meteo Compacta Integrada (All-in-One)
Estação Meteorológica Automática de fácil utilização e configuração. O HDMCS-100 mede a velocidade do vento, direção do vento, umidade, ponto de orvalho, temperatura, pressão barométrica e precipitação.



