Água · Agricultura e solo

Medir a árvore ou o solo para decidir a rega? O que encontrou um estudo com dendrómetros num pomar de macieiras na Suíça

Um estudo num pomar de macieiras na Suíça comparou durante duas campanhas a rega guiada por dendrómetros com a guiada por sensores de humidade do solo: com dendrómetros usou-se 38 % menos água em 2022 e mais de 45 % menos em 2023, sem diferenças significativas de colheita. O que permite concluir, o que não permite e o que muda ao decidir o que medir.

Por EIC Controls · · 7 min de leitura

Registador dendrómetro DRL26C da EMS Brno para registar as alterações do diâmetro do tronco de uma árvore

Quem rega com sensores no solo mede o solo: a água em poucos pontos e a poucas profundidades. A árvore dá outro sinal. O diâmetro do tronco muda ao longo do dia, e a diferença entre o máximo e o mínimo diário, a chamada contração máxima diária (MDS), pode ser registada com um dendrómetro. A pergunta prática é qual das duas leituras convém usar para decidir a rega. Um estudo da Agroscope e da ETH de Zurique, publicado em 2025, pôs isso à prova durante duas campanhas num pomar de macieiras na Suíça. Segue-se o que encontrou, o que não permite concluir e o que muda numa decisão de medição.

A pergunta do estudo

Thainná Waldburger e os coautores compararam uma rega automática guiada por dendrómetros (a que chamam DENDRO) com o método comercial habitual da exploração, guiado por sensores de humidade do solo (SOIL). Queriam saber se o sinal do tronco permite ajustar a rega ao que a árvore precisa, com menos água e sem perder colheita, e para o confirmar mediram também o potencial hídrico do caule.

Como foi feito

  • A parcela. Uma exploração de macieiras da região do lago Lemano, a cerca de 400 m de altitude, com clima oceânico temperado segundo Köppen-Geiger, temperatura média de 11,2 °C e cerca de 1030 mm de chuva por ano.
  • As árvores. 45 macieiras 'Gala' distribuídas por três blocos aleatorizados, cada um com os dois tratamentos. Rega gota a gota, com gotejadores espaçados de 0,75 m e um caudal de 2,3 L/h.
  • A testemunha (SOIL). Seis sensores Watermark a 25 e 50 cm de profundidade, com limiares de -30 a -60 kPa (mediana a 25 cm) e de -20 a -40 kPa (mediana a 50 cm).
  • Os dendrómetros (DENDRO). Potenciómetros lineares (modelo SLPT 25 mm, da Opkon) montados numa armação de alumínio e presos ao tronco com um elástico de 2,5 mm, com uma resolução de ±6,1 µm. Dos 12 sensores instalados, só 8 foram usados depois da análise de qualidade dos dados.
  • A regra de decisão. Todos os dias às 8:00 os dados eram descarregados. O algoritmo comparava a média de 7 dias da recuperação diária do tronco com a média de 7 dias da MDS (uma diferença a que chamam RΔ). Com RΔ positivo, a rega era calculada a partir da MDS; com RΔ negativo, que os autores interpretam como contração da árvore e stress hídrico, a rega aumentava no dia seguinte. Regava-se entre as 17:00 e as 23:54.
  • A referência. Potencial hídrico do caule medido todas as semanas por volta do meio-dia (das 12:00 às 14:00) com câmara de Scholander.
  • A duração. Cerca de 57 dias em 2022 (de 26 de junho a 22 de agosto) e 90 dias em 2023 (de 1 de junho a 30 de agosto).

Além disso, simularam para os dois anos outros dois métodos que não foram aplicados no campo: um baseado no cálculo da FAO e um modelo de regressão.

O que se observou

  • Água. O tratamento DENDRO recebeu 80 mm em 2022, 38 % menos do que SOIL, e 90 mm em 2023, mais de 45 % menos.
  • Colheita. SOIL produziu 43,4 t/ha em 2022 e 50,5 t/ha em 2023; DENDRO, 42,8 e 48,7 t/ha. Os autores não encontraram diferenças significativas.
  • Estado hídrico. O potencial médio do caule foi de -1,2 MPa em DENDRO nos dois anos (mínimos de -1,5 e -1,7 MPa) e de -1,0 MPa em SOIL (mínimos de -1,4 e -1,2 MPa). As médias de DENDRO foram um pouco mais negativas, mas a diferença não foi significativa.
  • Métodos simulados. O método FAO tendia a sobrestimar as necessidades de água. Os próprios autores avisam que a simulação não é um teste independente.

Com estes dados, os autores concluem que no seu ensaio o método DENDRO foi mais eficiente no uso da água do que SOIL sem comprometer a colheita.

O que este estudo não permite concluir

  • Clima e região. É uma só exploração, num clima oceânico temperado com cerca de 1030 mm de chuva por ano, e em 2023 houve uma semana com mais de 50 mm. As percentagens de poupança não podem ser transpostas para um verão mediterrânico seco nem para outra região.
  • Cultura. Macieira 'Gala' regada gota a gota. O estudo não diz nada sobre outras espécies nem sobre outras variedades.
  • Duração. Duas campanhas, de 57 e 90 dias.
  • A testemunha. SOIL era a prática comercial da exploração, e em agosto dos dois anos houve rega em excesso por regas manuais feitas pela própria exploração. Por isso a poupança mede-se face a essa prática concreta, e não face a qualquer rega com sensores de solo.
  • Solo. A estrutura do solo era heterogénea e compactada, e os autores assinalam que as medições de humidade do solo nem sempre refletiram a água disponível nas camadas mais profundas.
  • Incidentes. Uma válvula avariada deixou as árvores DENDRO sem rega durante mais de 10 dias, e 4 dos 12 dendrómetros foram descartados.
  • Equipamento. O estudo usou potenciómetros lineares numa armação de alumínio, presos com elástico e com uma resolução de ±6,1 µm. Os resultados não se transpõem diretamente para outro dendrómetro, com outra fixação ou com outra resolução.
  • Algoritmo. Com médias de 7 dias o sistema responde pior às mudanças rápidas; os autores propõem testar períodos de 4 dias ou menos.

O que muda numa decisão de medição

  1. Decidir o que se mede. O solo em poucos pontos ou a resposta da árvore. Neste estudo, o sinal do tronco permitiu regar com menos água sem perda significativa de colheita, e os autores sugerem combinar os sensores de solo com medições na planta.
  2. Instalar com margem. Se de 12 dendrómetros só 8 deram dados utilizáveis, o número de árvores instrumentadas tem de prever perdas e um controlo de qualidade dos dados antes de os usar para decidir.
  3. Manter uma referência independente. Neste estudo foi o potencial hídrico do caule, medido todas as semanas ao meio-dia com câmara de pressão, que permitiu confirmar o estado hídrico de cada tratamento.
  4. Escolher a janela de cálculo. Com médias de 7 dias o sistema reage tarde; convém testar janelas mais curtas na própria parcela, como propõem os autores.
  5. Resolver o fluxo de dados. O algoritmo do estudo precisava dos dados todas as manhãs para decidir a rega dessa tarde. Se o dendrómetro vai decidir a rega do dia, é preciso resolver antes como chegam os dados e com que frequência.
  6. Não esquecer a profundidade. Se se mantiverem sensores de solo, a 25 e 50 cm e num solo heterogéneo podem não ver a água das camadas mais profundas, como avisam os autores. A calibração também conta, como vimos neste estudo sobre calibração no campo.

Referências

  • Waldburger, T.; Anken, T.; Cockburn, M.; Walter, A.; Hatt, M.; Chiang, C.; Nasser, H.-R. (2025). Automated irrigation of apple trees based on dendrometer sensors. Agricultural Water Management, 311, 109398. DOI: 10.1016/j.agwat.2025.109398. Licença CC BY 4.0. Texto integral no repositório da Agroscope. Consultado a 21/10/2026; sem avisos de correção nem de retratação no Crossref nessa data.

Seleção comercial da EIC Controls

O DRL26C da EMS Brno é um registador para acompanhar a longo prazo as alterações do diâmetro do tronco em troncos com mais de 8 cm de diâmetro, com fixação não invasiva e um alcance de incremento de 65 mm, segundo a sua ficha técnica. Num ensaio como o descrito, permite registar as alterações do diâmetro do tronco das árvores escolhidas. Antes de o instalar convém confirmar o diâmetro dos troncos, prever a fita de aço inoxidável ST20 e o cabo de dados IrDA/USB que a ficha indica como acessórios necessários, e confirmar com um especialista a resolução, o intervalo de registo e a forma de descarregar os dados, que a ficha não detalha, se o objetivo for acompanhar a contração diária.

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Instrumentos para esta aplicação

Registrador/Dendrómetro de Crescimento de Tronco

EMS Brno · DRL26C

Registador/Dendrómetro de Crescimento de Tronco

Sensor de exploração madeireira para uma monitorização precisa a longo prazo das alterações do diâmetro do tronco da árvore em troncos maiores que 8 cm de diâmetro. Fixação não invasiva Alcance de incremento 65 mm Memória e capacidade da bateria até 5 anos

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