Agricultura e solo · Instalação e calibração

Geada na parcela: a que altura, com que protetor e onde colocar o sensor para que o alarme chegue a tempo

A temperatura que decide o dano por geada é a do tecido, e medi-la é difícil. Cinco decisões para medir o ar o mais perto possível dela: altura, protetor, pontos da parcela, variável conforme o método de proteção e limiar com alarme.

Por EIC Controls · · 8 min de leitura

Registador de dados HOBO MX2303 com dois sensores de temperatura externos com cabo, para medir a temperatura em dois pontos

Numa noite limpa e sem vento, o número que decide se a flor se perde não é o da estação mais próxima: é a temperatura do gomo, da flor ou do fruto pequeno que se quer proteger. Medi-la é difícil, e a FAO avisa que provavelmente difere da do ar. O que se decide, uma vez e antes da primeira geada, é a que altura, com que protetor e em que pontos se mede o ar, e que variável dispara o alarme. Este guia percorre essas cinco decisões com o que dizem a FAO e dois trabalhos revistos por pares, e termina com os seus limites.

1. À altura do que se protege

A FAO lembra que as percentagens de dano costumam basear-se em meia hora de exposição do tecido abaixo da temperatura crítica, enquanto a temperatura do ar se mede num abrigo normalizado a 1,5 m. Perry (1994), citado pela FAO, recomenda colocar os termómetros à altura mais baixa em que se quer proteger, e a FAO acrescenta que a recomendação geral era colocá-los mais abaixo em culturas baixas e densas e mais acima em culturas altas e abertas. A ideia, diz o texto, é que a leitura do ar abrigado se aproxime o mais possível da temperatura da planta que se protege.

A altura conta porque, nas noites de geada, o ar não tem a mesma temperatura em cima e em baixo. Antes de instalar ventiladores, a FAO pede que se confirme que a inversão térmica entre 2 e 10 m de altura é de pelo menos 1,5 °C na maioria das noites de geada. Para saber quanto muda a leitura na sua parcela, o caminho mais direto é pôr duas sondas a duas alturas durante as primeiras noites frias e comparar.

2. Protegido do céu, mas sabendo que a planta fica abaixo

Ao tratar os aquecedores, a FAO indica que a temperatura seja medida num abrigo Stevenson, num abrigo de geada para pomares ou num protetor do tipo Gill, que impeça o termómetro de ficar exposto ao céu limpo. É a condição para que o dado seja temperatura do ar e possa ser comparado entre pontos e entre noites (explicamo-lo no guia sobre protetores de radiação).

O guia da FAO avisa que a temperatura de uma folha, de um gomo ou de um fruto pequeno é provavelmente mais baixa do que a do abrigo, porque os órgãos expostos perdem calor por radiação de onda longa. Uma revisão sobre árvores (Charrier e colaboradores, 2015) refere que a temperatura do meristema apical do rebento pode desviar-se ±4 °C da do ar. Duas consequências práticas: o dado do protetor é uma referência, não a temperatura do tecido, e o limiar do alarme tem de deixar margem. A FAO cita também o aviso de Perry (1994) de que o sensor não deve ficar onde os métodos de proteção o afetem diretamente, por exemplo a radiação dos aquecedores.

3. Nas zonas baixas, e em mais de um ponto

O ar frio é mais denso do que o quente, desce pela encosta e acumula-se nas zonas baixas, que segundo a FAO têm noites sistematicamente mais frias quando o céu está limpo e o vento é fraco. A FAO conta entre o essencial uma rede de pontos de temperatura distribuídos pela cultura, não um só.

Chega a estação mais próxima? Um estudo com 18 estações automáticas instaladas na copa de pomares da Voivodina, uma região plana do norte da Sérvia, recolheu dados de 2013 a 2018 e comparou-os com estações climatológicas situadas a menos de 50 km, que medem a 2 m sobre relva dentro de abrigo (Firanj Sremac e colaboradores, 2021). No pomar emparelhado com a estação de Novi Sad, a mínima foi mais baixa ao longo de todo o ano do que nessa estação e do que a da reanálise. Num pomar de ameixeiras, as diferenças de máximas e mínimas face à estação de Vršac foram de 2,5 °C, e de até 5 °C em casos concretos. Os autores concluem que, no caso estudado, a reanálise não é uma fonte fiável sobre a exposição das plantas a temperaturas baixas, e que a mínima de uma estação climatológica próxima e com fatores semelhantes pode ser usada, mas sabendo que tem um erro possível. Notam também que a cobertura vegetal pode aumentar o risco de geada ao baixar a mínima. O estudo é de uma zona plana; num terreno com declive há que somar a drenagem de ar frio de que fala a FAO.

4. Que temperatura vigiar depende de como protege

Se a proteção for por aspersão, a variável que manda é a temperatura de bolbo húmido. A FAO aconselha, a quem não tenha problemas de encharcamento, falta de água ou custo, ligar os aspersores quando a temperatura de bolbo húmido se aproxima de 0 °C ou da temperatura crítica, conforme o valor da cultura e a preocupação com as perdas. Os aspersores sobre a planta devem estar todos a funcionar quando o bolbo húmido se aproxima da temperatura crítica, e podem ser parados depois do nascer do sol, quando volta a ultrapassá-la.

A folha de cálculo da FAO para o bolbo húmido trabalha com o ponto de orvalho, e o método compara o seu resultado com a temperatura do ar medida a barlavento da cultura protegida. Para o seguir é preciso medir também a humidade do ar, não só a temperatura, e ter um ponto de medição fora da zona regada.

5. O limiar é uma orientação e o alarme tem de avisar a tempo

A FAO avisa que as temperaturas críticas de pomares e vinha mudam com o estado fenológico, que muitas vezes se obtêm com ramos cortados numa câmara fria e que, na prática, devem ser usadas apenas como orientação. Uma tabela de temperaturas críticas serve para fixar um limiar de partida, não para o transferir sem mais de uma cultura, de uma variedade ou de uma fase para outra.

Daqui decorrem dois pormenores de configuração. Se o dano está associado a meia hora abaixo da temperatura crítica, um intervalo de registo de uma hora não permite saber se essa meia hora se cumpriu. E o alarme tem de chegar a tempo de pôr a proteção a funcionar antes do dano: a FAO conta-o entre o essencial e descreve desde alarmes com o sensor num abrigo junto à casa até sistemas que telefonam ou transmitem por rádio a partir de uma estação remota.

Lista de verificação antes da primeira geada

  1. Altura: sensor à altura mais baixa que quer proteger.
  2. Protetor: sem exposição ao céu e fora do alcance direto de aquecedores ou de outros métodos de proteção.
  3. Pontos: pelo menos um na zona mais baixa da parcela e outro de referência; a estação mais próxima não substitui essa rede.
  4. Variável: se protege com água, temperatura e humidade, com um ponto a barlavento da zona regada.
  5. Limiar e intervalo: limiar de partida conforme a cultura e a fase, com margem, intervalo de registo inferior a 30 minutos e um alarme que avise a tempo.

Limites

  • Este guia não dá temperaturas críticas: dependem da cultura, da variedade e da fase, e a FAO apresenta-as como orientação.
  • O estudo da Voivodina é de uma região plana, com pomares e estações de uma rede concreta, e os autores reconhecem falta de dados e pouca cobertura espacial; as diferenças de 2,5 e 5 °C não se transferem para outra parcela.
  • Os ±4 °C do meristema vêm de uma revisão, não de uma medição na sua cultura, e não são uma correção que se possa aplicar ao dado do protetor.
  • O que se diz sobre as zonas baixas vale, segundo a FAO, para noites limpas e com vento fraco.

Referências

  • Snyder, R. L. e de Melo-Abreu, J. P. (2005). Frost Protection: Fundamentals, Practice, and Economics. Volume 1. FAO Environment and Natural Resources Series 10. Roma: FAO. Índice, capítulo 2 e capítulo 5. Consultado a 19/10/2026.
  • Firanj Sremac, A., Lalic, B., Cuxart, J. e Marcic, M. (2021). Maximum, Minimum, and Daily Air Temperature Range in Orchards: What Do Observations Reveal? Atmosphere, 12(10), 1279. DOI: 10.3390/atmos12101279. Texto integral. Consultado a 19/10/2026.
  • Charrier, G., Ngao, J., Saudreau, M. e Améglio, T. (2015). Effects of environmental factors and management practices on microclimate, winter physiology, and frost resistance in trees. Frontiers in Plant Science, 6. DOI: 10.3389/fpls.2015.00259. Texto integral. Consultado a 19/10/2026.

Seleção comercial da EIC Controls

O registador HOBO MX2303 tem dois sensores de temperatura externos com 2 m de cabo no mesmo equipamento, o que permite comparar duas alturas ou dois pontos próximos durante as primeiras noites frias; a ficha declara uma exatidão de ±0,25 °C entre -40 e 0 °C, um intervalo de registo de 1 s a 18 h, alarmes visuais no próprio registador e descarga por Bluetooth a cerca de 30 m. Para acompanhar a temperatura à distância, o sensor de temperatura sem fios RXW-TMB-868, com 5 m de cabo, envia os dados para uma estação central da mesma rede, e os dados são consultados pela internet. Ficam por dimensionar os protetores de radiação de cada sonda, os pontos da parcela, a estação central e o aviso à distância e, se protege com água, a medição de humidade.

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